Entre Trilhos

 Por Paula Amor

Maquinista e o trem O passeio de trem vai começar. Partindo da Calçada e tendo como destino final Paripe, o trem de Salvador oferece uma incrível viagem conhecida por poucos. Fora dos grandes roteiros turísticos da cidade, o passeio de trem pela região suburbana, surpreende os visitantes pela beleza das paisagens que revela. Ao passar pela catraca registradora paga-se apenas R$ 0,50. Vale a pena pagar esta pequena quantia para desfrutar de uma maravilhosa viagem.

    A viagem é bastante agradável. Enquanto algumas pessoas seguem conversando, outras apenas observam a paisagem, que varia entre belas praias e simples moradias. A ferrovia de Salvador conta com 13,5 km de extensão e com estações nas comunidades de Santa Luzia, Lobato, Almeida Brandão, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi e Coutos. Entre os passageiros estão estudantes e pessoas comuns que utilizam o trem para suas atividades cotidianas como ir ao trabalho ou ao médico, como nos conta a passageira Bárbara Simone, cozinheira, 33 anos: “Já fiz bastante passeiocom o trem sim, mas hoje só pego pra ir no (sic) médico”.

HISTÒRICO

   A história da ferrovia na Bahia começa em 1853, quando Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto recebeu do Governo Imperial concessão, por 20 anos, para construir uma estrada de ferro saindo das proximidades do porto da Cidade da Bahia (como era chamada Salvador) até a Vila de Juazeiro, às margens do Rio São Francisco. Em 1855, Muniz Barreto transferiu a concessão para os ingleses, que criaram a Bahia and São Francisco Railway Company, especialmente para a construção da ferrovia, cujo projeto foi totalmente elaborado em Londres.

    A Estação Ferroviária da Calçada foi projetada em 1855 pelo inglês John Watson, mas sua montagem só foi iniciada no ano seguinte. No dia 23 de junho de 1860 foi inaugurado o primeiro trecho, da Calçada a Paripe.  A estação já esteve sob responsabilidade de empresas francesas e inglesas e desde 1988, é administrada pela Superintendência de Salvador da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).  

CONHECENDO A CALÇADA                                                                            

    O trajeto dos trens margeia a Baía de Todos os Santos e oferece aos aventureiros uma das mais belas paisagens de todos os percursos ferroviários brasileiros. Nem mesmo as estações deixam a desejar; as da Calçada e a de Plataforma são as mais bem cuidadas. 

     A viagem começa na Estação Ferroviária da Calçada, situada no bairro de mesmo nome, um dos mais antigos de Salvador. A Calçada é um bairro comercial; suas ruas durante a semana ficam cobertas de barracas de camelôs, e povoadas por vendedores ambulantes. É lá também que estão a Feira de São Joaquim, um dos mais importantes pontos turísticos alternativos, e o terminal marítimo de Salvador.

      Para reforçar o imaginário popular de que Salvador possui 365 igrejas, uma para cada dia do ano, não seria de estranhar que na Calçada encontramos duas delas. O visitante pode encontrar paz e tranqüilidade em meio à agitação comercial, no interior das igrejas Nossa Senhora dos Mares e Órfãos de São Joaquim.   

    Chega-se à Calçada de diversas maneiras; de carro, pelo Elevador Lacerda, que liga a Cidades Baixa e Alta, pelo plano inclinado, que liga a Calçada ao Bairro da Liberdade, ou ainda de ônibus; existem diversas linhas que passam por lá (para maiores informações acesse o site do SETPS, Sindicato da Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador).

A VIAGEM VAI COMEÇAR

    O passeio para o visitante não começa apenas no momento em que este embarca no trem. A própria Estação da Calçada é um interessante cenário a se observar; uma bela construção, ampla e arejada, que abriga personagens inusitados. A vendedora ambulante Terezinha, 41, é um deles. Teresinha vende balas, refrigerante e salgados na Estação da Calçada desde 1999. Sorridente e bastante carismática, ela conta que o trem às vezes é bastante movimentado, mas que mesmo assim as vendas nem sempre são satisfatórias.

    De acordo com a administração da estação, passam por ali cerca de 15 mil pessoas nos dias úteis, em sua maior parte, moradores da região e estudantes em excursão. “A freqüência de grupos turísticos mesmo é muito pequena”, conta a Sub-Coordenadora do Bem-Estar do Usuário, Sílvia Lima, 34.

    Ao se aproximar da estação, o trem traz grandes expectativas para o passeio e deixa ainda mais ansiosos os marinheiros de primeira viagem. Seu balanço, e a música, vinda muitas vezes do radinho de pilha de algum passageiro, são elementos que compõe o cenário do viajante.  

     A linha ferroviária funciona atualmente com cinco trens, três deles modernizados e dois na reserva. Os novos trens têm capacidade para transportar 600 pessoas. As paisagens observadas através das janelas, durante o percurso, que dura cerca de 30 a 40 minutos, revelam uma bonita orla ferroviária, que contrasta com a vista de modestas moradias das populações que habitam a região; recordando o visitante das desigualdades e dicotomias existentes na capital baiana.

    Durante uma parte do percurso, o passageiro tem a bela vista da Baía de Todos os Santos à sua frente, e dos lados a Ribeira e a vista da praia da Suburbana. A grande ponte de ferro sobre o mar, que surge ao se aproximar da Estação Almeida Brandão, no bairro da Plataforma, provoca medo e espanto em muitos dos viajantes em decorrência da sua magnitude.

    Vale a pena saltar na Estação Almeida Brandão, na Plataforma. A partir deste bairro, situado na metade do trajeto, pode-se pegar um barco que realiza a travessia Plataforma-Ribeira, desvendando uma exuberante vista da Baía de Todos os Santos, ou pode-se permanecer no bairro e se deliciar com maravilhosos frutos do mar, preparados no popular restaurante Boca de Galinha. Nos finais de semana, os maquinistas têm atenção redobrada; o fluxo de pessoas indo para a praia aumenta, e até feiras se realizam em torno dos trilhos.                                                                                                    

   Para quem pergunta se a viagem é segura, a resposta é positiva. Há guardas e seguranças em todas as estações. Em alguns trechos do percurso, eles costumam inclusive entrar nos vagões e percorrer parte do trajeto junto aos passageiros                                             .

           

Ainda é necessário que ocorra um número maior de reformas e melhorias nos trens e estações soteropolitanos, proporcionando assim condições para que as pessoas voltem a utilizar esse meio de locomoção, e também estimule aqueles que nunca conheceram, a conhecer e compartilhar desta experiência maravilhosa e enriquecedora.

 

FORRÓ DO TREM                                                                                    

Além das belas paisagens, os passageiros podem encontrar outros atrativos enquanto viajam. Principalmente no São João, a ONG Movimento Trem de Ferro realiza verdadeiras festas juninas em pleno vagão. Embalado por quadrilhas, pelo Trio de Forró Salvador entre outros, o trem percorre o trajeto Calçada-Paripe, convidando os participantes a experimentar o som que se mistura ao balanço do trem e às paisagens.

    A festa acontece aos domingos e tem início já na Estação da Calçada, com a apresentação de quadrilhas juninas no saguão. Em seguida o trem parte para Paripe e retorna à Calçada. A camisa que dá acesso ao evento custa, em média, R$ 25. Para maiores informações: (71) 3489-1489 / 9145-3006 / 3314-3074 / 3492-0715 ou verdetrem@bol.com.br.

    Você pode acessar também os sites: http://www.verdetrem.com.br e www.ibonfim.com.

INFORMAÇÕES SOBRE O FUNCIONAMENTO

     PARTIDA: Estação Ferroviária da Calçada                    

    VALOR DA PASSAGEM: R$ 0,50 a inteira; R$ 0,25 para estudantes que apresentarem o SalvadorCARD.            

                                   * Passagem gratuita aos domingos e feriados. 

      HORÁRIOS: De segunda a sexta-feira, o primeiro trem parte às 6h e o último sai da Estação da Calçada às 21h, e da Estação de Paripe às 22h.                                

                       Sábados, domingos e feriados o trem funciona das 6h às 19h na Calçada. Em Paripe a última saída acontece às 21:30h.                                                                                                                                    

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Responses

  1. Muito bom. Parabéns Meninas.

    João Carlos – Secretário de Turismo de Saubara.

  2. Paula,
    Adorei a sua materia Entre trilhos. Você está bobando no jornalismo. Parabéns e siga em frente. Pelo visto, seu futuro no jornalismo é promissor
    Gostei das outras também. Parabens a todas.


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